homo haber 2.0

Homo Faber 2.0: Políticas do Digital na América Latina

Centro Cultural USP São Carlos, de 5 a 30 de novembro de 2018
Av. Dr. Carlos Botelho, São Carlos – SP, Brasil [13561-003]

Curadores
Rodrigo Scheeren (USP – Universidade de São Paulo | Brasil)
Pablo C. Herrera (UPC – Universidad Peruana de Ciencias Aplicadas | Perú)
David M. Sperling (USP – Universidade de São Paulo | Brasil)

(clique na imagem para o download do catálogo)

Apresentação
Duas décadas se passaram desde a implementação, difusão e desenvolvimento do uso da fabricação digital na área de Computer-Aided Architecture Design (CAAD) na América Latina. Durante todo esse período, diferentes temporalidades e especificidades da região se tornaram notáveis. A primeira oportunidade de capturar e entender uma parte desse processo aconteceu durante a Conferência CAAD Futures 2015 – “The Next City”. A partir da iniciativa impulsionada pela professora Gabriela Celani (UNICAMP), os professores David M. Sperling (USP) e Pablo C. Herrera (UPC) organizaram a exposição “Homo Faber: Fabricação Digital na América Latina”, que apresentou trabalhos de 24 consolidados e emergentes. laboratórios de seis países sul-americanos que foram criados entre 2005 e 2014.

“Homo Faber 1.0” – como chamamos – demonstrou pela primeira vez ao mundo o potencial da fabricação digital na América Latina. Concebida em torno do tema “Informando Materiais e Materializando Formas” (Sperling e Herrera, 2015), esta exposição representou, até então, o principal esforço de sistematização, categorização e apresentação de processos e dinâmicas de fabricação digital nas áreas de arquitetura, design e construção.

No contexto do XXII Congresso da Sociedade Iberoamericana de Gráficos Digitais (SIGraDi / São Carlos, Brasil – 7 a 9 de novembro de 2018) que assume como tema central a “Tecnopolítica”, a Homo Faber 2.0 enfoca a “Política da Digital na América Latina”. Montaner e Muxi (2011: 65-66)* argumentam que “a ação política da arquitetura sempre existiu, mesmo que haja profissionais que negam essa relação e fazem política por omissão. Se a política é a organização social de um grupo que se desenvolve em um espaço, dependendo de onde você age na criação deste espaço, este será agregador ou desagregador, inclusivo ou exclusivo, será regido pelo desejo de redistribuição de qualidade da vida ou de acordo com a perpetuação da exclusão e o domínio dos poderes. É por isso que a arquitetura é sempre política”. A partir dessa abordagem, a fabricação digital na arquitetura não é exceção.

O tema escolhido para esta exposição demonstra como alguns usos das tecnologias de fabricação digital, a partir de sua natureza disruptiva, impõem novas políticas sobre processos, programas acadêmicos, desenvolvimento de currículos, linhas de produção, implementações e adoções. Assim, o objetivo desta exposição é estar ligado à política e à sociedade, mostrando o potencial da fabricação digital e seu impacto nas comunidades, evidenciando como a identidade dos projetos evolui a constante experimentação de forma e material para o desenvolvimento de novos produtos ou o aprimoramento dos existentes, do objeto à escala arquitetônica.

Para a Homo Faber 2.0, o comitê organizador selecionou 37 projetos de um total de 61 propostas. Esses projetos, advindos de nove países da América do Sul e Central, foram distribuídos em três categorias:

– 12 projetos relacionados a processos de colaboração de projeto para mudanças na sociedade com atividades voltadas para os cidadãos em particular e estratégias de subversão no uso de tecnologias digitais.

– 19 projetos relacionados a processos e protótipos de pesquisa conceitual utilizando experimentação formal e material, bem como o desenvolvimento tecnológico de novas técnicas e produtos.

– 6 projetos relacionados ao hibridismo artesanal-digital / novas artesanias / identidade cultural que promovem o uso misto de técnicas artesanais e digitais para a criação de artefatos.

Nesta edição, Homo Faber reflete um amadurecimento de iniciativas que aprimoram a abordagem de diferentes escalas para o ambiente construído. Os processos investigados e os artefatos resultantes demonstram um avanço na complexidade das propostas, escala de fabricação, soluções técnicas e materialidades. Os projetos estão amplamente ligados à cultura local, reconhecida como fonte de inspiração geradora de significado para o fluxo de design e montagem. Os laboratórios surgem com propostas cada vez mais associadas a problemas locais, passando de experiências referenciadas ao hemisfério norte a outras que buscam em sua própria realidade e comunidade uma conexão que valorize sua identidade.

Portanto, é importante destacar que por meio da Homo Faber são traçadas exposições, histórias e origens, que são o cotidiano de outras iniciativas transformadas pela realidade de cada comunidade, cidade e país. Finalmente, nesta segunda versão, procuramos respostas a problemas locais, impulsionados por experiências não apenas de um laboratório, mas de diferentes contribuições que enriquecem novas políticas e políticas de fabricação digital, não apenas para seu próprio lugar, mas também para suas cidades e o mundo.

A visibilidade dos projetos por meio da Homo Faber reforça a opinião de Hans-Ulrich Obrist, para quem uma exposição expressa possibilidades de conectividade, de criar pontes e redes entre tecnologia, política e comunidade, a partir da perspectiva da academia e da profissão de arquiteto.

* Montaner, J. & Muxí, Z. (2011). Arquitectura y Política. Ensayos para mundos alternativos. Barcelona: Editorial Gustavo Gili.